segunda-feira, 5 de abril de 2010

País atrai multinacionais de informática


Três fabricantes de chips devem chegar ao Brasil neste ano e outra dezena avalia projetos; com isenções, preços tendem a cair

Sem indústria local, deficit dos eletroeletrônicos na balança comercial pode chegar a 1,9% do PIB, em 2020; meta é 0,4% do PIB



Técnicos trabalham em fábrica de chips na Ásia, principal polo
da indústria de semicondutores


JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL

Três anos após dar início a uma política mais agressiva de incentivos para atrair fabricantes estrangeiros de chips, o país começa a ver resultados. A coreana Hana Micron está prestes a começar sua produção no Rio Grande do Sul e duas grandes fabricantes estão em negociação adiantada. Outra dezena estuda opções, segundo representantes do governo federal e consultores da iniciativa privada que atuam nesse mercado.
A indústria de chips (semicondutores) é vital para a economia. Hoje, quase não há produto eletrônico sem esse componente. Televisores, celulares e computadores estão entre eles. Os fabricantes mundiais são poucos e ficam principalmente na Ásia, onde o custo operacional é baixo.
Uma fábrica de primeira linha exige investimentos de até R$ 3 bilhões para a produção de pranchas de wafer. O chip é um recorte minúsculo dessa prancha. Há fábricas que só importam essas pranchas e se destinam ao corte dos chips. O investimento, nesse caso, gira em torno de R$ 500 milhões.
O Brasil ainda não conseguiu convencer um fabricante de primeira linha, como a Intel ou a AMD, a produzir suas pranchas no país. Tanto a Hana Micron quanto as demais que estão chegando farão cortes.
Mesmo assim é uma boa notícia, porque os preços tendem a cair pela metade, considerando somente as isenções fiscais aos novos entrantes. Entre elas estão Imposto de Importação, PIS e Cofins sobre máquinas, equipamentos e insumos.
"Isso só para nos colocar em igualdade com os países asiáticos", diz Marcos Mandacaru, analista de investimento da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Além disso, o governo livra essas empresas do pagamento do Imposto de Renda até 2020. "Aí é incentivo."

Contas externas
Há diversos motivos para esse plano federal. Um deles é aumentar a participação do país na divisão das receitas globais desse setor, que movimentou US$ 226 bilhões em 2009.
O Brasil girou US$ 10 bilhões, cedendo a maior parte ao exterior porque foi obrigado a importar chips e outros insumos para abastecer as indústrias de eletroeletrônicos e as poucas cortadoras de chips no país.
Com o aquecimento da economia local, as vendas de eletrônicos devem disparar. A Abinee, associação que representa a indústria eletroeletrônica, estima que o faturamento saltará dos atuais 4% do PIB (Produto Interno Bruto) para 7% em 2020. Nesse ritmo, as contas externas correm risco. Segundo a Abinee, as importações desses itens já superam em US$ 15 bilhões as exportações, deficit de 1,1% do PIB.
Sem nenhum fabricante instalado aqui, essa diferença pode chegar a 1,9% do PIB, em 2020. Com o programa federal de incentivos ao setor de semicondutores, a meta do governo é reduzir esse deficit para 0,4% do PIB até lá.
Na esteira dessas mudanças, os distribuidores (empresas que fazem as mercadorias chegarem às lojas) já planejam movimentar pelo menos mais R$ 1 bilhão por ano em 2014.
"No ano passado, as empresas nacionais investiram em média 2% de seu faturamento em tecnologia", diz Marcelo Medeiros, diretor-geral da Ingram Micro, uma das maiores no ramo. "Hoje esse índice é de 6%, duas vezes superior ao dos países mais maduros. Mesmo com todas as nossas limitações e barreiras, hoje não há empresa estrangeira que não esteja pensando em vir para o Brasil."

Novos empreendedores
Essas perspectivas estão levando até executivos de multinacionais no Brasil a se tornarem empreendedores, ajudando companhias estrangeiras a se instalarem no país. É o caso de José Antonio Scodiero, ex-presidente da AMD, a principal concorrente da americana Intel na fabricação de chips.
Há um ano e meio, Scodiero deixou o posto para fundar a Fast Company Brazil. Entre seus clientes que podem aportar no país, constam três cortadoras de chips, um fabricante de computadores e outro da indústria de brinquedos de alta tecnologia. "Com minha experiência, posso ajudar novas empresas a virem para cá. Pelo menos três devem se instalar no país ainda neste ano."

domingo, 4 de abril de 2010

Paquistão ameaça fazer ferver a disputa pela água com a Índia

Financial 
Times
James Lamont
New Déli (Índia)
Líderes paquistaneses colocaram a questão dos recursos hídricos como um dos principais motivos de rivalidade de Islamabad com a Índia, numa atitude que poderá politizar um assunto extremamente delicado nesta região propensa à seca.
Nova Déli teme que a água do Himalaia possa se tornar uma nova disputa populista, da mesma forma que o território da Caxemira, localizado entre os dois rivais nucleares que lutaram três guerras ao longo dos últimos 63 anos.
“Há um esforço coordenado no Paquistão para criar outra questão anti-Índia que possa capturar a imaginação popular no país”, diz um alto funcionário indiano. “Eles estão criando um 'vilão indiano'”, assustando as pessoas com a falta de água, disse outro.
O Paquistão alega que a Índia não honrou um tratado de 1960, negociado com a ajuda do Banco Mundial, sobre o uso dos sistemas fluviais compartilhados pelos dois países, afirmando que os projetos hidrelétricos da Índia estão reduzindo o fluxo de água no sistema fluvial.
Autoridades indianas insistem que Nova Déli não violou o tratado e atribui a falta d'água no Paquistão ao mau gerenciamento e à má divisão do recurso entre as províncias do país.
“A questão da água é um assunto ilegítimo que serve apenas para perpetuar a animosidade da população paquistanesa em relação à Índia”, diz K. Subrahmanyam, analista de defesa indiano. “O terrorismo jihadista parecerá ainda mais justificável para um paquistanês por conta da questão da água do que pela Caxemira”.
Yusuf Raza Gilani, primeiro-ministro paquistanês, colocou a água no mesmo patamar que a questão da Caxemira numa entrevista ao Financial Times este mês. “Queremos que o mundo se concentre para que a Índia resolva conosco questões essenciais como Jammu e Caxemira e a água”, disse ele.
O general Ashfaq Kiyani, comandante do Exército paquistanês, fez observações semelhantes num discurso no mês passado, e participou de uma delegação enviada a Washington que levantou a questão com autoridades norte-americanas na semana passada.
As autoridades indianas estão particularmente alarmadas com o fato de que líderes de grupos militantes como o Lashkar-e-Taiba e seu afiliado, Jamaat-ud-Dawa, tenham adotado a questão da água.
O Jamaat-ud-Dawa alega que as províncias de Punjab e Sindh no Paquistão estão enfrentando uma desertificação por causa das represas indianas e do desvio da água. Enquanto fazendeiros protestavam em Lahore este mês, o grupo acusou a Índia de declarar uma guerra da água. “A Índia está tentando levar a cabo uma conspiração, tornando estéreis as terras agrárias do Paquistão e nos aniquilando economicamente”, afirmou.
Hafiz Saeed, fundador da Lashkar-e-Taiba, disse: “O governo precisa tomar medidas práticas para garantir a água paquistanesa. É uma questão de vida e morte para o Paquistão.”
Alguns analistas dizem que a mudança climática justifica a atualização dos tratados hídricos em todo o sul da Ásia. Eles alertam que os problemas com a água podem causar conflitos entre as populações que dependem dos sistemas hídricos alimentados pelas chuvas.
Os hidrologistas já são capazes de apontar quais regiões terão mais problemas com a água nos próximos anos. À medida que diminuiu a disponibilidade de água nos sistemas fluviais do Himalaia (que sustentam 1,3 bilhão de pessoas), os especialistas acreditam que aumentarão os atritos entre a Índia, Bangladesh e o Paquistão numa batalha pelos recursos hídricos.
Tradução: Eloise De Vylder

Países candidatos ao euro temem ser prejudicados pela crise grega

Le Monde
Marie de Vergès e Philippe Ricard
Em Bruxelas (Bélgica)
Eles estão fora da zona do euro, mas veem com maus olhos a crise provocada pelo desvio orçamentário da Grécia: os Estados jovens membros da União Europeia (UE), a leste e nordeste do continente, se preocupam por terem de esperar mais do que o previsto para poderem adotar a moeda única.
“Os Estados membros da zona do euro não respeitaram suas próprias regras”, criticou a ex-presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga, hoje membro de um “comitê de sábios” encarregado de repensar o futuro da UE. “Acho que servir-se disso como desculpa para não manter suas promessas aos futuros membros é ridículo, sinceramente”, irritou-se durante um debate na Polônia, na segunda-feira (29), com autoridades governamentais e financeiras.
Entre os antigos países do bloco comunista, até hoje somente a Eslovênia e a Eslováquia adotaram a divisa europeia. A lista dos candidatos é longa. As três Repúblicas bálticas – Estônia, Letônia, Lituânia – já atrelaram sua moeda ao euro por uma taxa fixa.
A Estônia espera adotá-lo até 2011. A Bulgária quer integrar a partir deste ano o mecanismo de câmbio europeu (MCE II), porta de entrada para a zona. Usando a crise como argumento, a Polônia a Hungria chegaram a pedir, em 2009, que os fundadores do euro simplificassem os procedimentos de adesão. Em vão. Na época, a moeda única parecia constituir um escudo eficaz para se proteger da crise financeira. Mas o quase-naufrágio grego colocou à prova a coesão da união monetária (16 Estados membros), e fragilizou sua ampliação.
A princípio, os candidatos ao euro podem adotar a moeda única contanto que respeitem os critérios de convergência estabelecidos pelo Tratado de Maastricht: finanças públicas em ordem, controle da inflação, taxas de câmbio estáveis.
O Banco Central Europeu (BCE) é muito firme quanto ao cumprimento dessa lista de especificações. Para os diretores dos bancos centrais, não se trata somente de um teste: devem-se respeitar os critérios de seleção de forma estável. “Não basta passar pelo radar no limite da velocidade”, resume um alto dirigente monetário europeu. “Os países que querem entrar no euro devem ser capazes de respeitar esses critérios a longo prazo, mesmo com a política monetária do BCE”.
Passadas as turbulências desses últimos meses, os países maiores poderiam ficar tentados a concentrar seus esforços sobre a consolidação da zona do euro antes de ampliá-la. A França poderia enfatizar as dificuldades gregas para incentivar a Alemanha, que normalmente está mais predisposta a ampliar a zona do euro, a se manter prudente. “Está claro que a crise grega é um alerta”, diz um especialista financeiro. “Ela revela os problemas de competitividade dos países: o euro lhe dá cinco ou seis anos de déficit sem lágrimas, mas o castigo chega uma hora ou outra”.
“Não vamos impor novas condições só porque temos um problema com um membro de longa data da zona do euro”, retorquiu Angela Merkel. Intransigente com a Grécia, a chanceler alemã exige que os candidatos ao euro sejam tratados “com lealdade”.
Em Vilna, Sófia ou Varsóvia, teme-se um endurecimento das regras. “Seria um grande erro”, disse, no início de março, o primeiro-ministro lituano Andrius Kubilius, cujo país havia sido reprovado por pouco em 2007, por causa de uma inflação volátil demais. Alguns dirigentes europeus já pediram, no ano passado, por uma modificação dos critérios de seleção, integrando a eles o balanço dos pagamentos. Entre os novos Estados membros, muitas vezes ele é deficitário, por causa do afluxo de capitais estrangeiros investidos nessas economias em plena transição.
“Os dirigentes europeus certamente tentarão dissuadir discretamente alguns candidatos”, afirma Gunter Deuber, economista do Deutsche Bank e especialista em Leste Europeu. “A prudência é justificada para alguns, que ainda estão em plena regularização. Mas outros fizeram seu dever de casa e merecem sua adesão, como a Estônia”.
Os países da região não têm as mesmas fraquezas econômicas. A Hungria tem uma dívida pública grande que beira os 80% de seu produto interno bruto (PIB). Atingida em cheio pela crise, no outono de 2008 ela recebeu socorro financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da UE. Os países bálticos sofreram uma inflação galopante antes de serem atingidos pela crise.
Mas muitos iniciaram grandes reformas estruturais para entrar em conformidade com as regras de Maastricht. A Estônia, por exemplo, tomou rígidas medidas de austeridade, entre as quais um corte de dois dígitos nos salários. Hoje ela é vista como uma candidata sólida. Mas atrás dela a porta poderá se fechar por um bom tempo.
Tradução: Lana Lim

Salários dos professores estaduais

Música de cantor britânico filho de brasileira estoura nos EUA - BBC

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