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segunda-feira, 11 de junho de 2012

MALVINAS OU FALKLANDS?


A troca de hostilidades entre argentinos e britânicos começou em 1833, não acabou com a guerra de 1982 e não vai sair de moda tão cedo. A disputa pela soberania sempre foi uma questão de Estado para os governos argentinos, militares ou não. A alegação da proximidade geográfica, bem como a herança das ilhas que pertenciam à Espanha (que, por sua vez, as comprou dos franceses, em 1766) é a base da reivindicação. Os argumentos não são aceitos pelos britânicos, que se aferram à posse do território pela precedência histórica da ocupação (a mesma tese utilizada na disputa com o Brasil pela Guiana). Convém ressaltar que nenhum dos dois países já solicitou um arbitramento internacional.

E o Brasil na questão? Em 1982, o governo militar brasileiro também foi surpreendido pela intempestiva invasão decretada pelo general Leopoldo Galtieri. O presidente brasileiro, general João Baptista Figueiredo, usou poucas palavras: "Não avalizamos atos de loucura." O Brasil proibiu os britânicos de utilizar seu território para reabastecimento de aviões ou navios militares e cedeu aos argentinos três aeronaves da Embraer para reconhecimento marítimo. Também advertiu o Reino Unido de que uma invasão ao território continental da Argentina teria desdobramentos, pois poderia levar à união dos países sul-americanos e, talvez, a outras participações no conflito.
Ao contrário da suposta certeza de que os britânicos não iriam a uma guerra no Atlântico Sul, a primeira-ministra Margaret Thatcher mandou uma esquadra e uma aviação modernas às ilhas. O blefe argentino desabou em dois meses. Depois dos combates, os britânicos contabilizaram 258 soldados mortos e 777 feridos; os argentinos, 649 mortos, 1.008 feridos e 11.313 prisioneiros. A ditadura argentina acabaria sendo levada de roldão pela derrota. Três dias após a rendição, em 14 de junho de 1982, Galtieri renunciou.
Desde então, o Brasil vem adotando, com moderação, o princípio da solidariedade com o país vizinho. Junto com as nações do Mercosul, passou a respeitar o nome Malvinas para designar o arquipélago. Em dezembro de 2011, os países do bloco econômico concordaram em proibir que barcos com a bandeira das Falklands atraquem em seus portos. Os kelpers dão de ombros e afirmam que isso não tem a menor importância: é só trocar a bandeira dos navios pela britânica e tudo volta ao normal. No entanto, o arquipélago não esconde o temor de que, no futuro, o boicote aos navios vire um bloqueio comercial.
Para um kelper, especular sobre uma possível troca de nacionalidade é uma provocação. A resposta vem acompanhada de um olhar diferente, um esgar ou pela frase estampada em várias janelas de Port Stanley, muito repetida aos estrangeiros: “Argentinos, vocês são bem-vindos em nossa ilha; mas respeitem nosso direito de escolher nossos soberanos.”

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/476/artigo258141-2.htm

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