terça-feira, 31 de agosto de 2010
Turistas transformam Barcelona na capital das orgias e bebedeiras e a prefeitura cria leis para mudar a imagem do balneário espanhol - Época
A sodoma da Europa

EXCESSOS
Diversão na praia de Sidges (acima). Abaixo, prefeitura criou multa para quem urinar na rua

Barcelona quer se livrar da fama de capital europeia da esbórnia e destino preferido no Velho Mundo daqueles que procuram diversão regada a desregramento. A cidade catalã se esforça para coibir o comportamento abusivo de grande parte dos turistas que a invadem durante o verão e praticam seguidos atos de incivilidade – como fazer as necessidades fisiológicas nas vias públicas, andar nus e embriagados pelos pontos turísticos e utilizar serviços de prostituição em plena luz do dia e sem a menor preocupação com a privacidade. Muitos moradores do belíssimo balneário não aguentam mais lidar, ano após ano, com um volume crescente de visitantes que já aterrissam na localidade espanhola com as piores intenções na bagagem, como se ela fosse a Sodoma da Europa (leia boxe). “Abraçamos o turismo e os turistas, mas queremos que essa atividade seja compatível com a vida de quem mora aqui”, explica o prefeito Jordi Hereu. “Somos uma cidade real, com grande densidade populacional.”
Desde que foi sede da Olimpíada, em 1992, Barcelona, que fica na costa leste da Espanha e goza do privilégio de estar localizada à beira do Mar Mediterrâneo, vive o boom no setor turístico e atrai visitantes não só da Europa, mas do mundo inteiro. Só em 2009, 6,5 milhões de pessoas de fora pernoitaram na cidade. E dados consolidados pelo município para o primeiro trimestre de 2010 mostram que houve um aumento de 12% no número de visitantes em relação ao mesmo período de 2009 – um prenúncio do que deve ter sido a temporada de verão em 2010, ainda sem estatísticas oficiais. “Viajar no verão é parte da cultura do europeu, que separa dinheiro o ano todo para aproveitar as férias em balneários como Barcelona”, explica Marcelo Bispo, coordenador de turismo da Universidade Metodista, em São Paulo. “Mas não é porque eles são europeus e têm escolaridade e cultura que necessariamente fazem turismo responsável e respeitam quem vive nos destinos de férias.”

Que o diga a alta no número de pacotes vendidos por agências de turismo que prometem finais de semana de sol e muita bebedeira no balneário. A Barcelona Adventure, da Inglaterra, por exemplo, tem comercializado 60 pacotes semanais para grupos de despedidas de solteiro, que incluem bebida e “entretenimento adulto”. A Me Barcelona, da Espanha, é outra que explora o filão dos que querem aproveitar antes do casamento. Em pacotes para no mínimo oito pessoas, ela fornece ingressos em boates e garrafas de champanhe. De olho no aumento da frequência desse tipo de turista, que passa ao largo da rica arquitetura modernista e gótica da cidade para se enfurnar em bares e beber até cair, a prefeitura criou um conjunto de novas multas a serem aplicadas e apertou a vigilância. “Há excessos sim e a fiscalização é bem-vinda”, disse Luis Garrido Julve, 30 anos, morador do centro de Barcelona desde a infância, à ISTOÉ. Em placas explícitas, espalhadas pela cidade desde o começo de 2010, as mensagens em catalão, castelhano e inglês são cristalinas: fez o que não deve, paga multa. “É bom até para inibir o mau comportamento de moradores da nossa cidade, que muitas vezes também não cuidam dela direito”, reforça Julve.
Mas errar a mão em uma campanha punitiva como essa pode ter consequências devastadoras. Equilibrar a vigilância dos turistas com a atmosfera agradável e permissiva que fez de Barcelona o que ela é hoje é um desafio para as autoridades. “Montar um esquema de comunicação que transmita o que pode e o que não pode de maneira eficiente, mas leve, é fundamental”, diz Bispo, da Universidade Metodista. Senão o que foi construído nos últimos 18 anos pode se perder. “Outras cidades resolveram o problema dos excessos dos turistas tirando os moradores das vizinhanças”, lembra o prefeito Hereu. “Em Barcelona queremos encontrar um equilíbrio.” Se os visitantes seguirem a regra de ouro e tratarem a cidade catalã como se fosse a sua, a solução já está próxima.
FGV: desigualdade entre favela e asfalto cai no Rio- Época
FGV: desigualdade entre favela e asfalto cai no Rio
Pesquisa mostra que a desigualdade carioca caiu, mas por conta do aumento da pobreza na cidade
REDAÇÃO ÉPOCA
Foi o jornalista Zuenir Ventura que criou a ideia do Rio de Janeiro como uma cidade dividida entre o asfalto e o morro. Entre 1996 e 2008 essa divisão diminui, pelo menos no aspecto da pobreza e no acesso a serviços como eletricidade e água canalizada, mas isso não é completamente bom: segundo a pesquisa Desigualdade e Favelas Cariocas: a Cidade Partida está se integrando?, da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), a divisão diminuiu não por uma melhora absoluta da renda nas favelas cariocas, e sim pelo aumento da pobreza no asfalto. Coordenada pelo economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais (CPS) da FGV, e divulgada nesta terça-feira (31), a pesquisa mostra que nos últimos 12 anos a favela se aproximou do asfalto por uma piora da cidade. Enquanto a renda per capita das pessoas entre 15 e 65 anos que moram em favelas passou de R$ 480,25 para R$ 491,13 nos últimos 12 anos, no asfalto a renda caiu de R$ 1.416,28 para R$ 1.278,88.
A favela carioca seguiu mais a tendência de crescimento do Brasil do que o resto da cidade. Por exemplo: entre 1996 e 2008, a taxa de pobreza cai no Brasil, de 28,82% para 16,02%, e sobe no município do Rio de Janeiro, de 9,61% para 10,18%. Mas esse crescimento é puxado pelo aumento da pobreza em áreas não especiais, no asfalto, nas quais esse valor passa de 7,87% para 9,43%. Nas favelas a taxa passa de 18,58% para 15,07%.
A desigualdade de distribuição de renda no Rio, entretanto, quase não se alterou e hoje é maior do que a brasileira. No Brasil, o índice de Gini, que mede a desigualdade, caiu de 0,602 para 0,549 entre 1996 e 2008. No mesmo período, o índice carioca aumenta de 0,5779 para 0,5764. Nas favelas, a desigualdade é notoriamente menor, com um índice de 0,384.
Mudanças climáticas alteram crescimento das florestas
29 de agosto de 2010 | 11h 15
AE - Agência Estado
As mudanças climáticas já estão causando alterações no padrão de crescimento das florestas - tanto das tropicais quanto das temperadas -, mostram dois estudos realizados pelo Smithsonian Institution, dos Estados Unidos. As alterações no clima têm feito com que as florestas tropicais cresçam em um ritmo mais lento do que o habitual, ao passo que o inverso ocorre nas florestas temperadas, onde as árvores se desenvolvem a taxas mais aceleradas. Em ambos os casos, o fenômeno pode ser explicado pelo aumento nas concentrações de CO2 na atmosfera. "Nos últimos 40 anos verificamos um aumento de 15% nas emissões de CO2 na atmosfera. Era esperado que isso afetasse os padrões de crescimento das florestas, mas só agora estamos tendo as primeiras pistas de como isso está acontecendo na prática", afirma o pesquisador Stuart James Davies, diretor científico do Smithsonian Tropical Research Institute, considerada uma das principais instituições mundiais de estudos na área de ecologia tropical, com atuação em 40 países.
No Brasil, o Experimento de Grande Escala da Interação Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA), iniciativa que soma mais de 150 projetos de pesquisas, ainda não possibilitou aferir conclusões sobre como o bioma é afetado pelo aquecimento global. "Ainda não temos dados suficientes para afirmar que a floresta tropical brasileira teve seus padrões de crescimento alterados em razão das mudanças climáticas", afirma Luiz Antonio Martinelli, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Ele explica que as florestas tropicais têm maior variabilidade genética e possibilidade de adaptação a mudanças do que as florestas de clima temperado. "Mas já temos um banco de dados consistente para investigações futuras." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
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