sábado, 6 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Diblando o capitalismo, porém desitimulando idéias...
Partido Pirata contra as patentes do capitalismo - Caros amigos, janeiro de 2009
Por Gabriela Moncau
A sociedade da informação enfrenta uma forte contradição, que é naturalizada por muitos. Por um lado, com a expansão das redes, há possibilidades que nunca existiram, como, por exemplo, o compartilhamento de cultura, conhecimento e bens imateriais. Há no mundo aproximadamente 1 bilhão de pessoas com acesso regular a computadores pessoais. Ou seja, conectadas em uma rede mundial por máquinas de replicação em alta velocidade que reproduzem fielmente, sem custo, qualquer arquivo. Por outro, há o enrijecimento das ações e legislações a favor da propriedade intelectual. Uma esquizofrenia que provoca um dos maiores embates relacionados à informação, além de representar um desafio para os que defendem a democratização da cultura, do conhecimento e dos meios de comunicação.
Por Gabriela Moncau
Criado em 2006 na Suécia e com atuação em mais de 30 países, inclusive no Brasil, a organização partidária defende a liberação dos direitos autorais e adoção de software livre na Internet.
Com o interesse de manter a exclusividade de exploração comercial sobre os produtos, a indústria cultural elabora leis que visam conter a cópia e o compartilhamento de conteúdos. Sérgio Amadeu, sociólogo e professor da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, estudioso da questão da exclusão digital e do software livre, explica que as práticas de colaboração são intrínsecas à sociedade e surgiram muito antes da internet. “As pessoas não acham que estão fazendo nada errado. Esse costume sempre existiu. Antigamente, por exemplo, você pegava um vinil, colocava num aparelho de som 3 em 1, escolhia 3 ou 4 músicas, tocava o vinil, montava uma fita, levava pra uma festinha, dava pro seu amigo que copiava”, assinala.
Com o advento das redes, os controladores da indústria cultural desenvolveram diferentes estratégias de repressão. A primeira delas foi criar casos exemplares: identificavam uma pessoa que havia desenvolvido algum programa de compartilhamento ou que copiava muitos conteúdos e abriam grandes processos contra ela. Cobravam multas, ameaçavam de prisão e davam grande publicidade ao caso. As pessoas, no entanto, deram-se conta que a chance de ser identificado era irrisória. Colocaram em prática, então, processos contra um grande número de pessoas. No entanto, a popularização e o barateamento da banda larga fizeram com que a estratégia tivesse alcance limitado.
Terceira onda repressiva
Vivemos agora a tentativa de implementação da terceira onda repressiva no âmbito digital, conhecida como “resposta gradual”, ou “three strikes”, que apesar de ainda não ter sido posta em prática, está tramitando em diversos parlamentos. Trata-se de transferir a responsabilidade do judiciário para os provedores de acesso à internet. Cria-se uma regulação do provedor na qual ele é obrigado a notificar a pessoa que está baixando conteúdo ilegal uma, duas vezes. Na terceira, corta-se definitivamente o acesso à internet. Estudiosos do tema e defensores da democratização do conhecimento recorrem à Constituição e afirmam que tal penalização é ilegal, já que impedir o acesso à internet significa restringir a liberdade de expressão, o acesso à informação, cultura e serviços governamentais.
Vivemos agora a tentativa de implementação da terceira onda repressiva no âmbito digital, conhecida como “resposta gradual”, ou “three strikes”, que apesar de ainda não ter sido posta em prática, está tramitando em diversos parlamentos. Trata-se de transferir a responsabilidade do judiciário para os provedores de acesso à internet. Cria-se uma regulação do provedor na qual ele é obrigado a notificar a pessoa que está baixando conteúdo ilegal uma, duas vezes. Na terceira, corta-se definitivamente o acesso à internet. Estudiosos do tema e defensores da democratização do conhecimento recorrem à Constituição e afirmam que tal penalização é ilegal, já que impedir o acesso à internet significa restringir a liberdade de expressão, o acesso à informação, cultura e serviços governamentais.
De acordo com Pablo Ortellado, integrante do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (GPopai) e um dos criadores do Centro de Mídia Independente (CMI), as empresas que dominam o monopólio da cultura têm consciência que é impossível impedir a cópia do conteúdo dos produtos. “Eles sabem que será preciso reorganizar completamente a indústria pra adaptarem-se ao novo cenário tecnológico”. Segundo o professor, tal cenário já está desenhado. “No campo da música, por exemplo, seria a venda de música a preço muito baixo para competir com música barata; regulação de música por meio digital, com streaming, publicidade; ou então desmercantilizar a música digital e lucrar nas performances e shows. Obviamente, vão tentar compensar essas perdas explorando os artistas nos shows, por exemplo, ou a privacidade dos consumidores” afirma. Para Ortellado, a razão pela qual as indústrias ainda não transformaram seu modelo de negócio é que isso representaria um complexo reposicionamento do mercado. A posição dominante das quatro multinacionais da indústria cultural hoje – Sony, Warner, EMI e Universal – seria ameaçada por novos atores.
Defesa das licenças livres
Direitos autorais dão às pessoas a exclusividade de exploração comercial, o que permite controlar quem tem acesso ao produto por meio da barreira de preço. Só que se a pessoa tem o direito de fazer essa exclusão, ela pode também fazer a autorização. O software livre surgiu a partir dessa idéia de inverter a lógica da exclusão dos direitos autorais por meio das licenças livres. Nos anos 1980, o programador americano Richard Stallman fez essa inversão e criou o conceito de software livre, impedindo que fosse usado segundo a lógica tradicional competitiva. Nos anos 1990, várias iniciativas pegaram esse espírito do software livre e traduziram pra outros âmbitos de expressão da cultura.
Direitos autorais dão às pessoas a exclusividade de exploração comercial, o que permite controlar quem tem acesso ao produto por meio da barreira de preço. Só que se a pessoa tem o direito de fazer essa exclusão, ela pode também fazer a autorização. O software livre surgiu a partir dessa idéia de inverter a lógica da exclusão dos direitos autorais por meio das licenças livres. Nos anos 1980, o programador americano Richard Stallman fez essa inversão e criou o conceito de software livre, impedindo que fosse usado segundo a lógica tradicional competitiva. Nos anos 1990, várias iniciativas pegaram esse espírito do software livre e traduziram pra outros âmbitos de expressão da cultura.
Simultaneamente, com o advento da tecnologia de reprodução e a possibilidade de cópias digitais em massa e sem custo, houve a ascensão de práticas espalhadas na sociedade de cópia e colaboração. Uma delas são as redes “pear-to-pear” (P2P) ou
par-a-par, uma arquitetura de rede caracterizada pela descentralização do sistema, onde cada computador realiza, no compartilhamento de arquivos, tanto a função de servidor quanto a de cliente. Ou seja, os arquivos são enviados de computador para computador diretamente.
Lei dos direitos autorais
Entre os movimentos que surgiram com a ascensão do software livre e das práticas de compartilhamento, organizou-se um partido político internacional, tendo como principais bandeiras a reforma da lei dos direitos autorais, a extinção do sistema de patentes e a defesa dos direitos civis. O Partido Pirata surgiu na Suécia em 2006, como uma reação às alternativas de impor controle sobre a Internet, por razões de segurança e defesa da propriedade intelectual.
Entre os movimentos que surgiram com a ascensão do software livre e das práticas de compartilhamento, organizou-se um partido político internacional, tendo como principais bandeiras a reforma da lei dos direitos autorais, a extinção do sistema de patentes e a defesa dos direitos civis. O Partido Pirata surgiu na Suécia em 2006, como uma reação às alternativas de impor controle sobre a Internet, por razões de segurança e defesa da propriedade intelectual.
Gabriela Moncau é estudante de jornalismo.
Belo Monte é mais um presente para construtoras e mineradoras - Caros Amigos
Para uma análise ambiental da futura usina hidrelétrica de Belo Monte
Por Hamilton Octavio de SouzaFoto: Taís González
O governo federal insiste na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. É obra grande, está no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), custará muitos milhões de dólares, vai fazer a festa da Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e de todas as mineradoras privadas que serão beneficiadas com energia farta custeada pelo dinheiro público. A megalomania exalta a maior hidrelétrica brasileira.
A construção será tocada mesmo sem a conclusão de todos os estudos de impacto ambiental, já que o Ibama foi pressionado a acelerar a liberação da licença; sem a realização de mais de 20 audiências públicas prometidas aos moradores da região, que serão atingidos pelo lago da barragem, que deverá ter mais de 100 km de extensão; e sem respeitar as reservas indígenas, os ecossistemas, as grutas, as cachoeiras e os vários sítios arqueológicos já localizados.
Contrário à construção da usina, Dom Erwin Krautler, bispo da Prelazia do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), agrega outros aspectos negativos à polêmica obra, como a inundação de bairros inteiros de Altamira, o despejo de 30 mil famílias, a destruição de terras indígenas e a criação de um forte polo de migração sem que a região tenha condições de oferecer serviços públicos adequados, de moradia, educação, saúde e segurança.


Em entrevista dia 29 de janeiro, no auditório da Livraria Paulinas, em São Paulo, Dom Erwin contou que a grande maioria da população resiste à usina de Belo Monte, especialmente a população ribeirinha, os pescadores e os povos indígenas. Para os índios, explicou, a inundação de suas terras e a destruição do curso normal do rio, são coisas inaceitáveis, na medida em que representam atentados aos antepassados e ao futuro de seus filhos. A violência não é só física, na destruição do seu habitat, é também cultural, atinge suas crenças e sua religiosidade.
Morador na região Amazônica há mais de 40 anos, constantemente ameaçado de morte por latifundiários, grileiros e madeireiras, Dom Erwin Krautler disse que o movimento popular em defesa do Rio Xingu tem feito de tudo para convencer as autoridades a desistirem da usina de Belo Monte. Ele esteve pessoalmente duas vezes com o presidente Lula, que lhe garantiu que ouviria os índios e os moradores de Altamira e que respeitaria os estudos de impacto ambiental. No entanto, segundo ele, os ministérios do Meio Ambiente e das Minas e Energia decidiram construir a hidrelétrica de qualquer maneira, sem levar em conta a manifestação dos moradores da região.
O bispo assegura que a construção da usina provocará uma reação muito forte no povo do Xingu, principalmente por parte dos grupos indígenas – que estão bem organizados, têm plena consciência dos efeitos da obra nas suas reservas e tratam o assunto como algo vital para os seus povos. O que vai acontecer em Belo Monte é “imprevisível”, afirma Dom Erwin.
Hamilton Octavio de Souza é jornalista, editor da revista Caros Amigos e professor da PUC-SP
Imigração para a Itália... necessidade de aumentar a população
Uma aldeia italiana espera reverter seu declínio populacional aceitando refugiados de todo o mundo. Os imigrantes recebem casa e comida grátis e em troca devem trabalhar e aprender italiano. O projeto está tendo um grande sucesso, mas a máfia local não está contente.
Domenico Lucano, 51 anos, é o prefeito de Riace, no sul da Itália. A aldeia, com suas três igrejas, dois santos padroeiros, carneiros pastando nas colinas ao redor e árvores de tangerina crescendo nos vales - é como um calo na sola do pé da região da Calábria.
Até pouco tempo atrás, Riace estava rapidamente se tornando uma cidade fantasma. As pessoas tinham partido em busca da sorte em outros lugares - Milão, Turim ou Gênova, a Alemanha ou os EUA. A população de Riace tinha encolhido de modo tão drástico que a aldeia nem sequer tinha um bar, um restaurante ou um açougue, e não havia crianças suficientes para encher as classes na escola. Isso foi antes de o prefeito Lucano decidir reanimar sua aldeia: com imigrantes da Somália, Eritreia, Afeganistão, Bósnia, Iraque e Líbano.
Tudo começou com um navio. O barco chegou há 12 anos, em 1º de julho de 1998. Lucano, que era professor na época, estava dirigindo pela estrada costeira quando viu um grande grupo de pessoas no mar, aproximando-se da praia. Eram refugiados curdos, 300 homens e mulheres e algumas crianças, perdidos em uma praia perto de sua aldeia natal.
Era o mesmo lugar onde duas estátuas de bronze tinham sido encontradas sob o mar em 1972, o que colocou Riace no mapa. Para Lucano foi um sinal. "O vento nos trouxe uma carga especial, e quem somos nós para recusá-la?" Os gregos um dia navegaram pelo Mediterrâneo até a Calábria, seguidos pelos árabes e os normandos - e agora os refugiados estavam chegando.
Aldeia global
Lucano recebeu os curdos em sua aldeia, o que lhe valeu o apelido de "Mimmo, o curdo". Outros refugiados vieram, os restos das guerras e da pobreza ao redor do mundo. Ele decidiu criar um lugar onde os refugiados e os moradores locais pudessem trabalhar e viver lado a lado - uma aldeia global, no canto mais pobre de uma das regiões mais pobres da Itália, uma terra de sonhos despedaçados. Ele fundou uma associação e lhe deu um nome ambicioso: Città Futura (Cidade do Futuro).
A população da Europa está encolhendo, e a Itália hoje tem uma das taxas de nascimentos mais baixas do continente. Lucano acredita que pode ter encontrado uma maneira de trazer crescimento à Europa novamente. Sua abordagem é a reassentar os refugiados em lugares onde a população está encolhendo. Ele raciocina que em áreas onde a população já está em declínio os temores de superpopulação têm menor probabilidade de aflorar.
Lucano montou seu escritório no Palazzo Pinnarò, um nome extravagante para uma casa comum. Apesar de ser prefeito nos últimos seis anos, Lucano ainda trabalha no mesmo escritório em sua mesa de madeira surrada, cercado de mapas-múndi, um desenho em pastel de Che Guevara e um cartaz que mostra rebeldes zapatistas mexicanos. Ele é um homem pequeno com grandes sonhos e uma palavra preferida: "utopia". Não é membro de qualquer partido político, e quando disputou o cargo sua campanha se baseou em nada além de uma simples ideia: os mais pobres dos pobres salvariam Riace e, por sua vez, Riace os salvaria. Ele ganhou a eleição.
Desde então Lucano acomodou refugiados em casas vazias no centro da aldeia medieval, onde eles têm casa e comida de graça, incluindo a eletricidade. Em troca, eles devem aprender italiano e trabalhar. As mulheres fazem artesanatos e os homens reformam as casas, que depois são alugadas para turistas.
Helen, da Etiópia, grávida de oito meses quando chegou no barco, tece tecidos calabreses com lã de alta qualidade. Mohamed, do Iraque, perseguido pelas milícias do Mahdi, hoje vende "kebab" e trabalha na construção. Shukri, uma pequena somaliana, tem 23 anos, embora pareçam 13, e dois filhos. Ela trabalha como sopradora de vidro, fazendo borboletas.
Revertendo o declínio
Hoje há 220 imigrantes vivendo em Riace, além dos 1.600 "riacesi", como são chamados os nativos. O prefeito espera que a população acabe retornando ao seu nível anterior de 3.000 pessoas. Os novos habitantes estão abrindo oficinas e mandando seus filhos à escola local, e agora os turistas vêm a Riace para comprar os artesanatos que eles fazem. "Um lugar que as pessoas estavam abandonando hoje se tornou um lugar de boas vindas", diz Lucano com orgulho.
Algumas semanas atrás, quando os colhedores de frutas africanos, que ganham 25 euros (US$ 35) por dia, encenaram um protesto na vizinha Rosarno, os aldeões responderam atirando neles e os espancando com barras de ferro. Depois do incidente, Lucano disse em uma entrevista à televisão que Riace receberia bem os imigrantes. Pouco depois três jovens da Guiné, praticamente meninos, apareceram a sua porta, um com um ferimento de tiro no quadril. Lucano explicou as regras para os guineenses: eles receberiam 2 euros por dia mais 500 euros por mês de trabalho. Os meninos ficaram surpresos. Parecia um milagre.
É quase bom demais para ser verdade, mas o conceito parece funcionar. Lucano conquistou os mais velhos da aldeia, que tinham medo dos imigrantes, e os jovens, que temiam que lhes tirassem seus empregos. Città Futura já é o maior empregador da aldeia, tanto de refugiados como de moradores.
Reação da máfia
Há um grupo, porém, que não gosta do fato de não dar mais as ordens ou poder coletar dinheiro em Riace - a máfia calabresa. Seus capangas envenenaram três cachorros de Lucano e dispararam duas balas na porta da taverna de Donna Rosa. Mas para Lucano isso é um cumprimento, um sinal de que ele fez um bom trabalho. Duas aldeias vizinhas já adotaram a abordagem de Lucano, e o governo regional da Calábria aprovou uma lei que permitirá que outras aldeias sigam seu exemplo. Os políticos estão fazendo peregrinações a Riace e no último outono o cineasta alemão Wim Wenders visitou a aldeia.
Wenders pretendia fazer um filme sobre os refugiados dos barcos, mas acabou sendo um semidocumentário, semifilme de Hollywood de 27 minutos, filmado em 3D, principalmente sobre Riace e seus novos moradores. O filme se intitula "O Voo".
Pouco depois, Wenders fez um discurso em Berlim, no final das comemorações do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. "A verdadeira utopia não é a queda do muro, mas o que foi conquistado na Calábria, em Riace", ele disse.
Lucano mandou imprimir a frase do cineasta em seus cartões de Ano Novo, que enviou para todo o mundo. Ele espera que o milagre de Riace se espalhe para outros lugares.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Infográfico sobre o Tibete - Fonte: UOL Notícias
Quer saber mais sobre a questão Tibete, o infográfic da UOL pode auxiliar um pouco sobre o tema. Abraço...
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/infografico/afp/2010/02/04/saiba-mais-sobre-o-tibete-e-o-lider-religioso-dalai-lama.jhtm
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/infografico/afp/2010/02/04/saiba-mais-sobre-o-tibete-e-o-lider-religioso-dalai-lama.jhtm
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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